Lista de preços unitários
A lista de preços unitários fixa o preço de cada espécie de trabalho ou prestação. Papel no CCP, relação com o mapa de quantidades e conselhos para preencher.
Atualizado em 5 de setembro de 2026
A lista de preços unitários é o documento em que o concorrente indica o preço de cada prestação elementar de um contrato: o metro quadrado de pintura, a hora de intervenção, a unidade de fornecimento. Depois da adjudicação, esses preços passam a ser contratuais e servem para faturar as quantidades efetivamente executadas ou encomendadas.
Como funciona
Nas empreitadas de obras públicas e nas concessões de obras, a lista de preços unitários não é opcional: o artigo 57.º do Código dos Contratos Públicos inclui-a obrigatoriamente na proposta, abrangendo todas as espécies de trabalho previstas no projeto de execução (verified 2026-09-05). O concorrente preenche-a a partir do mapa de quantidades que integra o caderno de encargos, sem acrescentar nem suprimir linhas, e junta-lhe o plano de trabalhos e o cronograma financeiro.
O peso desta lista depende da modalidade de retribuição. Na empreitada por preço global, o preço é fixo para a obra definida e a lista serve sobretudo para medir trabalhos a mais e a menos e para as revisões. Na empreitada por série de preços, o empreiteiro é pago pelas quantidades realmente executadas, multiplicadas pelos preços unitários da lista: é aí que cada linha vale dinheiro.
Nos contratos de bens e serviços, o caderno de encargos usa frequentemente uma tabela de preços unitários equivalente, sobretudo em contratos de quantidade indeterminada e nos acordos-quadro, em que os contratos celebrados ao seu abrigo são faturados a esses preços. Os preços consideram-se completos: incluem encargos, custos indiretos, margem e todas as sujeições de execução. Podem ser fixos ou sujeitos a revisão, conforme o caderno de encargos.
O que muda para uma empresa
É um exercício de precisão. Cada preço será aplicado durante toda a vigência do contrato, seja qual for a quantidade efetiva. Um preço subestimado numa linha muito solicitada transforma um contrato ganho em prejuízo.
Estude o mapa de quantidades para perceber que linhas pesam mais na comparação das propostas. Desconfie, porém, da tentação de baixar as linhas de maior quantidade e inflacionar as restantes: a entidade adjudicante pode detetar o desequilíbrio e tratar a proposta como anormalmente baixa ou como não conforme.
Verifique as unidades, os arredondamentos exigidos e a obrigação de preencher todas as linhas. Uma linha por preencher pode levar à exclusão. E confirme se há erros ou omissões no mapa de quantidades: o CCP dá um prazo próprio para os identificar, e não os detetar a tempo transfere o risco para si.
Exemplo
Uma associação de municípios lança um acordo-quadro para reparação de condutas de água, com valor máximo de 400 000 € por quatro anos. A lista de preços unitários tem oitenta linhas: abertura de vala por metro linear, fornecimento e assentamento de tubagem por diâmetro, reposição de pavimento por metro quadrado. Uma empresa de obras públicas cota cada linha a partir dos seus custos e é paga, durante o contrato, pelas quantidades realmente executadas.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença para a decomposição do preço global?
A lista de preços unitários serve os contratos pagos por quantidade executada. A decomposição do preço global justifica um preço fixo para um objeto definido, independentemente das quantidades reais.
Pode deixar-se uma linha a zero?
É arriscado. Um preço nulo pode ser considerado anormal ou levar à exclusão. Se a prestação estiver incluída noutra linha, diga-o expressamente, se as peças o permitirem.
Os preços unitários são negociáveis?
Só nos procedimentos que admitem negociação, como a consulta prévia e o procedimento de negociação. Depois da outorga, só mudam pela fórmula de revisão prevista.